Concordância Nominal: Regras, Exemplos e Casos Especiais (Guia)
Você já ficou na dúvida se deveria escrever “segue anexo” ou “segue anexa“? Ou se ela está “meio cansada” ou “meia cansada”? Essas dúvidas são clássicas e envolvem a concordância nominal.
Primeiramente, dominar esse tema é crucial não apenas para passar em concursos e no Enem, mas para escrever com credibilidade no dia a dia. Neste artigo, vamos descomplicar as regras gerais e focar nas expressões que mais causam confusão.
1. O que é Concordância Nominal?
A concordância nominal é a harmonia entre os nomes da frase. Ou seja, é a regra que obriga o artigo, o adjetivo, o pronome e o numeral a concordarem em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural) com o substantivo a que se referem.
Exemplo básico:
“Estas três obras maravilhosas estavam esquecidas.”
(Note que tudo concorda com o substantivo “obras”).
2. Regra Geral: Substantivo e Adjetivo
A regra básica é simples: o adjetivo concorda com o substantivo.
- Que pintura bonita!
- As frutas estão deliciosas.
No entanto, a situação muda quando temos um adjetivo para mais de um substantivo.
A) Adjetivo DEPOIS dos substantivos
Você tem duas opções corretas:
- Concordância Atrativa: Concorda apenas com o substantivo mais próximo.
- Ex: “Que pintura e poema bonito!” (Concorda com poema).
- Concordância Gramatical: Vai para o plural (masculino prevalece se houver gêneros diferentes).
- Ex: “Que pintura e poema bonitos!” (Concorda com os dois).
B) Adjetivo ANTES dos substantivos
O adjetivo deve concordar apenas com o substantivo mais próximo.
- Ex: “Que bonita pintura e poema!”
- Ex: “Que bonito poema e pintura!”
Exceção: Se forem nomes próprios, o adjetivo vai sempre para o plural.
Ex: As geniais Clarice e Cecília Meireles.
3. Casos Especiais: As palavras que “derrubam” candidatos
Aqui estão as regras de ouro da concordância nominal. Estas são as pegadinhas mais comuns em provas.
I. Anexo vs. Em Anexo
- Anexo: É adjetivo, portanto, varia e concorda com o substantivo.
- “Segue anexo o recibo.”
- “Segue anexa a fatura.”
- Em anexo: É expressão invariável. Nunca muda.
- “Segue em anexo a fatura.”
II. Bastante vs. Bastantes
A dica é trocar por “Muito(s)”.
- Se virar “Muitos” (Adjetivo): Varia.
- “Recebemos bastantes (muitos) telefonemas.”
- Se virar “Muito” (Advérbio): Não varia.
- “Eles cantam bastante (muito) bem.”
III. Meio vs. Meia
Essa é a campeã de erros.
- Meio = Um pouco (Advérbio): Nunca varia.
- “Ela está meio (um pouco) cansada.” (NUNCA diga “meia” cansada).
- Meia = Metade (Numeral): Varia.
- “Bebeu meia (metade da) garrafa.”
- “É meio-dia e meia (hora).”
IV. Menos (A regra proibida)
Atenção: A palavra “menas” NÃO EXISTE. O advérbio “menos” é sempre invariável, mesmo acompanhando palavras femininas.
- Correto: “Tenho menos dúvidas hoje.”
- Errado: “Tenho menas dúvidas.”
V. É proibido, É bom, É necessário
Essas expressões mudam dependendo da presença de um determinante (artigo “a”).
| Sem Artigo (Generalizado) | Com Artigo (Especificado) |
| É proibido entrada. | É proibida a entrada. |
| Verdura é bom. | A verdura é boa. |
| Paciência é necessário. | A paciência é necessária. |
4. Concordância com Números Ordinais
Quando temos numerais ordinais (primeiro, segundo…), a posição define a regra:
- Antes do substantivo: Singular ou Plural.
- “A primeira e a segunda casa.” (ou casas).
- Depois do substantivo: Obrigatório Plural.
- “As casas primeira e segunda.”
Resumo
Em suma, a concordância nominal exige atenção aos detalhes:
- Adjetivos: Concordam com o substantivo.
- Advérbios (Meio, Bastante, Menos): São invariáveis quando modificam verbos ou adjetivos.
- Anexo: Varia. Em anexo: Não varia.
- Expressões de sentido geral: Só variam se houver artigo (A entrada é proibida).

